Aloe vera (L.) Burm. f.

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Foto detalhada da planta medicinal Aloe vera

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Resumo:

Aloe vera é uma planta medicinal da família Liliaceae. O gel é muito utilizado externamente para o tratamento de queimaduras e inflamações da pele, sendo efetivo em queimaduras de primeiro e segundo graus. Internamente, o produto oriundo do processamento das folhas inteiras é utilizado como laxante. No tratamento de hemorroidas, a polpa (sem cutícula) é recortada no formato de supositório. A planta inteira ou a resina é utilizada como laxante ou purgativa. Seu uso principal é por via de administração: Tópico. Suas contraindicações são: Uso contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da formulação ou às plantas da mesma família botânica (Liliaceae). O uso é contraindicado durante a gestação. O uso é contraindicado durante a lactação. O uso é contraindicado para menores de 18 anos, devido à ausência de dados suficientes que comprovem sua segurança. Os compostos antraquinônicos presentes na resina podem ser tóxicos quando ingeridos em doses elevadas. Não utilizar em doses superiores às recomendadas. Ao persistirem os sintomas, deve-se procurar orientação médica. Em caso de aparecimento de eventos adversos, suspender o uso do produto e consultar um médico.
Especificações Técnicas da Planta
Família Botânica Liliaceae
Parte Utilizada Gel ou mucilagem e resina
Via de Administração Tópico
Indicação de Uso Adulto

Quais os nomes populares da planta Aloe vera?

Aloé, babosa-grande, babosa-medicinal, erva-de-azebre, caraguatá-de jardim, erva-babosa, aloé-do-cabo.

Descrição Botânica:

Planta herbácea, suculenta, de até 1 m de altura, de origem provavelmente africana. Tem folhas grossas, carnosas e suculentas, dispostas em rosetas presas a um caule muito curto, que quando cortadas deixam escoar um suco viscoso, amarelado e muito amargo. Além de cultivada para fins medicinais e cosméticos, cresce de forma subespontânea em toda a região Nordeste. Prefere solo arenoso e não exige muita água. Multiplica-se bem por separação de brotos laterais (filhação).


Quais são os principais compostos químicos da planta Aloe vera?

O gel ou a mucilagem da babosa é constituído principalmente de água e polissacarídios (pectinas, hemiceluloses, glucomanana, acemanana e derivados de manose). Também possui aminoácidos, lipídios, fitosteróis (lupeol, campesterol e β-sitosterol), taninos e enzimas, vitaminas e sais minerais. A 6-fosfato-manose é o açúcar principal. A resina derivada da parte externa das folhas contém antraquinonas (aloé-emodina), antronas e seus glicosídeos.


Para que serve a planta Aloe vera?

O gel é muito utilizado externamente para o tratamento de queimaduras e inflamações da pele, sendo efetivo em queimaduras de primeiro e segundo graus. Internamente, o produto oriundo do processamento das folhas inteiras é utilizado como laxante. No tratamento de hemorroidas, a polpa (sem cutícula) é recortada no formato de supositório. A planta inteira ou a resina é utilizada como laxante ou purgativa.


Como preparar e utilizar a planta Aloe vera?

Como cicatrizante nos casos de ferimentos leves, desordens inflamatórias na pele, incluindo queimaduras (de 1º e 2º grau), escoriações e abrasões (FFFB3);

  • Gel
    Transferir de 10 a 70g do gel mucilaginoso incolor de babosa para recipiente adequado, incorporar a q.s.p. 100 g do gel base e misturar até homogeneização completa. Para a obtenção do gel mucilaginoso fresco, primeiramente lavar as folhas frescas com água e uma solução de hipoclorito de sódio a 1,5%. Remover as camadas exteriores da folha, incluindo as células pericíclicas, e utilizar apenas o gel translúcido e incolor, presente no interior das folhas. Cuidados devem ser tomados para não rasgar a casca verde, que pode contaminar o gel com exsudato de folha, de coloração amarelada e rica em heterosídeos antracênicos. O gel mucilaginoso pode ser estabilizado por pasteurização em temperatura entre 75 °C e 80 °C durante menos de 3 minutos. O gel fresco das folhas pode ser usado puro ou incorporado ao gel base até homogeneização completa.
    Aplicar o gel nas áreas afetadas, de uma a três vezes ao dia

Problemas digestivos (estomacais, hepáticos, vesiculares, intestinais e prisão de ventre): coloque 1 fatia pequena da polpa branca da folha fresca em 1 xícara (chá) de água fervente. Abafe, espere amornar e coe. Tome 1 xícara (chá) de manhã, em jejum, durante 5 dias.

Queda de cabelo; caspa; brilho nos cabelos; combate a piolhos e lêndeas: lave as folhas frescas, tire a casca, ficando somente com a polpa gosmenta e amarelada. Coloque 1 porção da polpa amarelada em um copo de água fervente. Abafe por 15 minutos e coe em uma peneira. Lave a cabeça e, em seguida, aplique essa gosma no couro cabeludo, massageando ligeiramente. Deixe agir por mais ou menos 1 hora. Enxágue a cabeça com água quente ou morna. No caso de piolhos e lêndeas, passar o pen te fino, em seguida.

Inflamações; queimaduras, erisipelas; eczemas: retire o espinho e a casca de 1 fatia da folha e coloque a polpa branca em um pilão. Amasse bem, até adquirir uma consistência pastosa. Aplique 3 vezes ao dia sobre o local afetado e cubra com papel manteiga ou plástico transparente. Deixe agir durante 1 hora, e em seguida, lave com água fria.

Hemorroidas (internas e externas); fissura anal: coloque 1 colher (sopa) de polpa branca da folha fresca em 1/2 litro de água em fervura. Desligue o fogo e coe. Ainda morno, faça banho de assento com massagens suaves, à noite. Deve ser repetido várias vezes, até desaparecerem as hemorroidas.

Contra o vício de roer ou chupar o dedo: o suco amarelo ou o bloco escuro, após a secagem, pode ser passado na ponta dos dedos das crianças, para a correção do vício.


Quais as contraindicações e efeitos adversos da planta Aloe vera?

Contraindicações:

Uso contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da formulação ou às plantas da mesma família botânica (Liliaceae). O uso é contraindicado durante a gestação. O uso é contraindicado durante a lactação. O uso é contraindicado para menores de 18 anos, devido à ausência de dados suficientes que comprovem sua segurança. Os compostos antraquinônicos presentes na resina podem ser tóxicos quando ingeridos em doses elevadas. Não utilizar em doses superiores às recomendadas. Ao persistirem os sintomas, deve-se procurar orientação médica. Em caso de aparecimento de eventos adversos, suspender o uso do produto e consultar um médico.

Efeitos Adversos Possíveis:

Dermatite de contato. Sensação de ardor ou queimação quando o gel é contaminado por derivados antraquinônicos provenientes da casca da folha e aplicado sobre pele lesionada ou feridas. Casos de dermatite de contato disseminada após aplicação tópica em pacientes com dermatite de estase. Urticária bolhosa.
A ingestão de doses elevadas pode causar intoxicação aguda, caracterizada por: desmaios, hipotensão, hipotermia, nos casos graves, pode evoluir para óbito.


Notas do Especialista:

Para uso tópico, recomenda-se utilizar exclusivamente o gel translúcido e incolor localizado no interior da folha. A casca verde e o exsudato amarelado devem ser completamente removidos para evitar contaminação por antraquinonas irritantes.
Doses elevadas (aproximadamente 8 g de aloé) podem provocar intoxicação aguda grave.
Medicamentos ou preparações contendo Aloe vera ou outras plantas ricas em antraquinonas, como sene (Senna spp.), canafístula (Cassia fistula), cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana) e ruibarbo (Rheum spp.), podem desencadear nefrite aguda, especialmente em crianças, ocasionando intensa retenção de líquidos.
A principal causa de irritação cutânea associada ao uso da babosa ocorre quando o gel é contaminado pelo látex amarelo presente logo abaixo da casca da folha, rico em derivados antraquinônicos. O preparo correto consiste em utilizar apenas a mucilagem transparente do interior da folha.


Referências Bibliográficas:

MAIA, E. Chás medicinais: utilização segura e eficaz. Maringá/PR: Essência Raiz, 2021.
SAAD, G. A. et al. Fitoterapia Contemporânea: Tradição e Ciência na Prática Clínica. 2a. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
LORENZI, H. & MATOS, FJA. Plantas medicinais no Brasil. Nativas e exóticas. 2 ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2008.
PANIZZA S, S. Plantas que curam (cheiro de mato). 4ª ed. São Paulo: IBRASA, 1998. 279p.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução RDC nº 10, de 9 de março de 2010. Dispõe sobre a notificação de drogas vegetais no âmbito da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 mar. 2010.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. 3. ed. Brasília: Anvisa, 2026. Aprovado pela Resolução RDC nº 1.024, de 14 de maio de 2026.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira. 1. ed. Brasília: Anvisa, 2016. Aprovado pela Resolução RDC nº 84, de 17 de junho de 2016.


Farmacêutico Fitoterapeuta Eduardo Maia
Esta monografia foi revisada por:
EDUARDO MAIA
Farmacêutico Fitoterapeuta

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