Matricaria recutita L.

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Foto detalhada da planta medicinal Matricaria recutita

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Resumo:

Matricaria recutita é uma planta medicinal da família Asteraceae (Compositae). Cólicas intestinais. Quadros leves de ansiedade, como calmante suave. Contusões e dos processos inflamatórios da boca e gengiva. Seu uso principal é por via de administração: Oral e Tópico. Suas contraindicações são: O uso é contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da formulação ou às espécies da família Asteraceae (EMA, 2015). Caso os sintomas persistam ou se agravem após uma semana de tratamento, um médico deverá ser consultado (EMA, 2015).O uso oral é contraindicado para crianças menores de 6 meses. A administração por inalação não é recomendada para crianças menores de 6 anos (EMA, 2015).Para uso externo, as preparações oromucosas e cutâneas são recomendadas apenas para pessoas com idade superior a 12 anos. O uso cutâneo é contraindicado sobre lesões profundas ou extensas (EMA, 2015).Durante a gestação e a lactação, o uso externo é permitido. Entretanto, quando a preparação for aplicada sobre os mamilos, estes devem ser cuidadosamente higienizados antes da amamentação, a fim de evitar sensibilização da criança (EMA, 2015). Não utilizar em doses superiores às recomendadas. Em caso de aparecimento de eventos adversos, suspender o uso do produto e procurar orientação médica.
Especificações Técnicas da Planta
Família Botânica Asteraceae (Compositae)
Parte Utilizada Inflorescência
Marcador Químico <p>Apigenina.</p>
Via de Administração Oral e Tópico
Indicação de Uso uso adulto e pediátrico acima de 6 meses

Quais os nomes populares da planta Matricaria recutita?

Camomila, camomila-romana, maçanilha, camomila-comum, camomilados-alemães, camomila verdadeira, camomila-legítima, camomila-vulgar, matricária.


Descrição Botânica:

Planta herbácea, anual, aromática, de até um metro de altura com folhas pinatissectas. Flores reunidas em capítulos compactos, agrupados em corimbos, com as flores centrais amarelas e as marginais de corola ligulada branca. Fruto do tipo aquênio, cilíndrico. É nativa dos campos da Europa e aclimatada em algumas regiões da Ásia e nos países latino americanos, inclusive na região sul do Brasil. É amplamente cultivada em quase todo o mundo inclusive nos estados do sul e sudeste do Brasil. A parte usada para fins terapêuticos é constituída dos capítulos florais secos ao ar e conservados ao abrigo da luz. 


Quais são os principais compostos químicos da planta Matricaria recutita?

Contém 0,3 a 1,5% de óleo essencial. O óleo essencial obtido por destilação possui coloração azul devido a presença do camazuleno. Outros constituintes presentes são α-bisabolol e derivados bisabolóxidos A, B, e C, bisabolonoído A, lactonas sesquiterpênicas (matricina, matricarina e desacetilmatricarina) e outros terpenoides tais como: farneseno, cadineno, cisespiroéter e transespiroéter; flavonoides (1 a 3%) (apigenina, quercetina e seus respectivos glicosídeos, luteolina, patuletina, lisoramnetol, apiína, rutina), cumarinas (umbeliferona, dioxicumarina e herniarina), taninos, ácidos graxos, mucilagem, ácidos fenólicos, resinas e sais minerais.


Para que serve a planta Matricaria recutita?

Cólicas intestinais. Quadros leves de ansiedade, como calmante suave. Contusões e dos processos inflamatórios da boca e gengiva.


Como preparar e utilizar a planta Matricaria recutita?

Cólicas intestinais. Quadros leves de ansiedade, como calmante suave (RDC 10/2010);

  • Infusão (Oral):
    Utilizar 3 g (1 colher de sopa) em 150 mL (xícara de chá).
    Tomar 1 xícara de chá de 3 a 4 vezes ao dia.

Contusões e dos processos inflamatórios da boca e gengiva (RDC 10/2010);

  • Infusão (Tópico):
    Utilizar de 6 a 9 g (2 a 3 colheres de sopa) em 150 mL (xícara de chá).
    Aplicar de 3 a 4 vezes ao dia, em forma de compressas, bochechos e gargarejos. 

Como auxiliar no tratamento sintomático de queixas gastrintestinais leves, tais como distensão abdominal e espasmos leves (FFFB3).

  • Infusão, durante 5 a 10 minutos: 
    Utilizar de 0,5 a 4 g de inflorescências em q.s.p. 150 mL de água conforme faixa etária abaixo:
    Uso pediátrico entre 6 meses e 2 anos: tomar uma dose do infuso, preparado a partir de 0,5 a 1 g da droga vegetal, duas a quatro vezes ao dia (EMA, 2015).
    Uso pediátrico entre 2 anos e 6 anos: tomar uma dose do infuso, preparado a partir de 1 a 1,5 g da droga vegetal, duas a quatro vezes ao dia (EMA, 2015).
    Uso pediátrico entre 6 anos e 12 anos: tomar uma dose do infuso, preparado a partir de 1,5 a 3 g da droga vegetal, duas a quatro vezes ao dia (EMA, 2015).
    Uso adulto e pediátrico acima de 12 anos: tomar uma dose do infuso, preparado a partir de 1,5 a 4 g da droga vegetal, três a quatro vezes ao dia. (EMA, 2015).

Como auxiliar no alívio de sintomas do resfriado comum; como auxiliar no alívio de afecções cutâneas leves, tais como queimaduras solares, feridas superficiais e furúnculos (FFFB3);

  • Infusão, durante 5 a 10 minutos: 
    Utilizar de 2 a 10 g de inflorescências em q.s.p. 100 mL de água conforme faixa etária abaixo:
    Uso pediátrico entre 6 e 12 anos:
    inalar (vaporização) o infuso, preparado a partir de 2 a 5 g da droga vegetal, até duas vezes ao dia, para alívio dos sintomas relacionados ao resfriado comum.
    Uso adulto e pediátrico acima de 12 anos: inalar (vaporização) o infuso, preparado a partir de 3 a 10 g da droga vegetal, diversas vezes ao dia, para alívio dos sintomas relacionados ao resfriado comum.
    Uso externo. Uso adulto e pediátrico acima de 12 anos: embeber algodão com o infuso, preparado a partir de 3 a 10 g da droga vegetal.
    Fazer a limpeza ou cobrir a área afetada com algodão embebido na infusão.
    Utilizar diversas vezes ao dia, para alívio de pequenas afecções da pele, tais como queimadura solar, ferida superficial e furúnculo.

Auxiliar no tratamento de lesões leves e inflamações da boca e orofaringe (FFFB3);

  • Infusão, durante 5 a 10 minutos: 
    Utilizar de 1 a 5 g de inflorescências em q.s.p. 100 mL de água conforme faixa etária abaixo:
    Uso adulto e pediátrico acima de 12 anos: realizar bochechos ou gargarejos com o infuso, preparado a partir de 1 a 5 g da droga vegetal, três vezes ao dia. 

Auxiliar no alívio de afecções cutâneas, da pele e mucosa da região anal e genital, desde que situações graves tenham sido descartadas por um médico (FFFB3);

  • Infusão, durante 5 a 10 minutos:
    Utilizar de 4,5 a 5 g de inflorescências em q.s.p. 1000 mL de água conforme faixa etária abaixo:
    Uso adulto e pediátrico acima de 12 anos: irrigar as lesões com o infuso, preparado a partir de 4,5 a 5 g da droga vegetal, diversas vezes ao dia.

Dores estomacais; intestinais; gastrite; úlceras; insônias; perturbações da menopausa; menstruação dolorosa; menstruação excessiva: em 1 xícara (chá), coloque 1 colher (chá) de flores e adicione água fervente. Abafe por 10 mi nutos e coe. Tome 1 xícara (chá), 3 vezes ao dia, podendo adicionar o suco da metade de um limão, por dose.

Dores de ouvido; nevralgias (sobretudo facial); limpeza da crosta na cabeça do recém-nascido: coloque 1 colher (sopa) de flores em 1 xícara (café) de óleo de cozinha. Leve ao fogo, em banho-maria, durante 3 horas. Coe e esprema o resíduo. Use morno para fazer massagens delicadas no local afetado, 2 vezes ao dia. No caso de dor de ouvido, pingar 2 gotas no ouvido dolorido, fazendo um tampão com um chumaço de algodão.

Reumatismo; dores musculares; dores na coluna; dores ciáticas: no óleo preparado na receita acima, adicione 1 pedra de cânfora e espere dissolver. Faça massagens suaves nos locais doloridos, e em seguida, cubra com uma flanela.

Reumatismo; dores musculares; dores na coluna; dores ciáticas: em uma panela com água fervente, coloque uma peneira de modo que a mesma não toque na água e sobre a peneira um pano. Esparrame sobre o pano as flores e abafe. Espere que o vapor da água quente amorne o pano e as flores. Ainda morno, aplique o pano com as flores nas partes doloridas, cubra com outro pano e deixe agir durante toda noite.

Menstruação dolorosa; menstruação excessiva: coloque 4 colheres (sopa) de flores em 1/2 litro de vinho branco. Deixe em repouso por 5 dias, agitando às vezes e coe. Tome 1 cálice por dose, 3 vezes ao dia, uma semana antes da menstruação.

Conservar os cabelos louros, suaves e brilhantes: coloque 1 xícara (café) de flores em 1/2 litro de água em fervura. Deixe ferver durante 5 minutos e coe. Espere amornar e aplique nos cabelos, deixando agir por 5 minutos. Em seguida, enxágue com água corrente.


Quais as contraindicações e efeitos adversos da planta Matricaria recutita?

Contraindicações:

O uso é contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da formulação ou às espécies da família Asteraceae (EMA, 2015). Caso os sintomas persistam ou se agravem após uma semana de tratamento, um médico deverá ser consultado (EMA, 2015).

O uso oral é contraindicado para crianças menores de 6 meses. A administração por inalação não é recomendada para crianças menores de 6 anos (EMA, 2015).

Para uso externo, as preparações oromucosas e cutâneas são recomendadas apenas para pessoas com idade superior a 12 anos. O uso cutâneo é contraindicado sobre lesões profundas ou extensas (EMA, 2015).

Durante a gestação e a lactação, o uso externo é permitido. Entretanto, quando a preparação for aplicada sobre os mamilos, estes devem ser cuidadosamente higienizados antes da amamentação, a fim de evitar sensibilização da criança (EMA, 2015).

Não utilizar em doses superiores às recomendadas. Em caso de aparecimento de eventos adversos, suspender o uso do produto e procurar orientação médica.

Efeitos Adversos Possíveis:

Foram relatadas reações de hipersensibilidade de frequência desconhecida após o contato das mucosas com preparações líquidas de Matricaria chamomilla, incluindo reações alérgicas graves, como dispneia, edema angioneurótico (edema de Quincke), colapso vascular e choque anafilático (EMA, 2015).

Também foram descritos casos de anafilaxia após a ingestão das flores da planta (BENNER & LEE, 1973; CASTERLINE, 1980; SUBIZA et al., 1989).

No uso externo podem ocorrer dermatite de contato e outras reações alérgicas cutâneas (SUBIZA et al., 1990; DSTYCHOVA & ZAHEJSKY, 1992; PAULSEN et al., 1993).


Notas do Especialista:

Não aplicar a infusão na região próxima aos olhos. 

Atenção: Embora a literatura oficial cite posologias específicas de uso da planta para bebês a partir de 6 meses, é fundamental ter extrema cautela com o volume total de líquidos oferecido à criança na forma de infusão.

O sistema digestivo e renal dos bebês ainda está em fase de amadurecimento. A ingestão de grandes volumes de chás pode ocupar o espaço gástrico que deveria ser destinado ao leite materno ou à fórmula — comprometendo a ingestão de nutrientes essenciais para o desenvolvimento — além de gerar risco de sobrecarga renal e intoxicação hídrica.

Recomendação: A administração de qualquer fitoterápico para lactentes deve ser feita com cautela. Recomendamos fortemente que as mães ou responsáveis consultem um médico pediatra antes do uso. Apenas o profissional que acompanha a criança poderá ajustar a concentração da planta e o volume de água de forma individualizada, garantindo a segurança e a eficácia terapêutica sem comprometer a nutrição do bebê.

Fontes e Referências Oficiais Consultadas.
Para embasar esses avisos e recomendações, as diretrizes utilizadas foram retiradas dos seguintes documentos oficiais:

  • Ministério da Saúde

  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

    • Manual de Alimentação da Infância à Adolescência. Diretrizes do Departamento Científico de Nutrologia da SBP sobre as necessidades hídricas e os riscos da substituição do leite por líquidos não nutritivos no primeiro ano de vida.
      Acesso ao documento: Portal da Sociedade Brasileira de Pediatria


Referências Bibliográficas:

  • ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosário: Corpus, 2007.
  • BENNER, M. H.; LEE, H. J. Anaphylactic reaction to chamomile tea. Journal of Allergy and Clinical Immunology, v. 52, p. 307–308, 1973.
  • BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. 3. ed. Brasília: ANVISA, 2026.
  • CARVALHO, A. C. B.; SILVEIRA, D. Drogas vegetais: uma antiga nova forma de utilização de plantas medicinais. Brasília Médica, v. 47, p. 218–236, 2010.
  • CASTERLINE, C. L. Allergy to chamomile tea. Journal of the American Medical Association, v. 244, p. 330–331, 1980.
  • DSTYCHOVA, E.; ZAHEJSKY, J. Contact hypersensitivity to camomile. Ceskoslovenska Dermatologie, v. 67, p. 14–18, 1992.
  • EMA (European Medicines Agency). European Union Herbal Monograph on Matricaria recutita L., flos. London: HMPC, 2015.
  • LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: Nativas e Exóticas. 2. ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2008.
  • MAIA, E. Chás medicinais: utilização segura e eficaz. 2. ed. Maringá: UICLAP, 2024. 400 p.
  • MATOS, F. J. A. Farmácias Vivas: Sistema de Utilização de Plantas Medicinais Projetado para Pequenas Comunidades. 4. ed. Fortaleza: Edições UFC, 1998.
  • PAULSEN, E.; ANDERSEN, K. E.; HAUSEN, B. M. Compositae dermatitis in a Danish dermatology department in one year. Contact Dermatitis, v. 29, p. 6–10, 1993.
  • PANIZZA, S. T. Como Prescrever ou Recomendar Plantas Medicinais e Fitoterápicos. São Paulo: CONBRAFITO, 2010.
  • SAAD, G. A.; et al. Fitoterapia Contemporânea: Tradição e Ciência na Prática Clínica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
  • SUBIZA, J.; et al. Anaphylactic reaction after the ingestion of chamomile tea: a study of cross-reactivity with other composite pollens. Journal of Allergy and Clinical Immunology, v. 84, n. 3, p. 353–358, 1989.
  • SUBIZA, J.; et al. Allergic conjunctivitis to chamomile tea. Annals of Allergy, v. 65, n. 2, p. 127–132, 1990.
  • TROPICOS. Matricaria chamomilla L. Missouri Botanical Garden, 2017.
  • WICHTL, M. (Ed.). Herbal Drugs and Phytopharmaceuticals: A Handbook for Practice on a Scientific Basis. 3. ed. Stuttgart: Medpharm Scientific Publishers, 2004.

Farmacêutico Fitoterapeuta Eduardo Maia
Esta monografia foi revisada por:
EDUARDO MAIA
Farmacêutico Fitoterapeuta

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