Leonurus cardiaca L.
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Resumo:
Leonurus cardiaca é uma planta medicinal da família Lamiaceae. Uso Oficial (Farmacopeia Brasileira): Indicada como auxiliar no alívio dos sintomas da tensão nervosa.Evidências Científicas e Tradicionais: Atuação como agente cardiotônico, antianginoso, antiarrítmico e hipotensor. É amplamente aplicada na saúde feminina (amenorreia, dismenorreia, ansiedade menopausal e prevenção de hemorragia pós-parto). Apresenta efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios, antimicrobianos, imunomoduladores, analgésicos e neuro/nefroprotetores. Seu uso principal é por via de administração: Oral e Tópico. Suas contraindicações são: Contraindicada na gestação (devido à estimulação uterina e efeito emenagogo), lactação e para menores de 18 anos. Inadequada para pessoas com hipersensibilidade aos componentes fitocímicos (alcaloides, iridoides, diterpenos e flavonoides). Formulações líquidas (tintura e extrato fluido) são expressamente proibidas para alcoolistas e diabéticos devido ao teor alcoólico. A erva não deve ser utilizada por pessoas com distúrbios de coagulação ou pacientes pré-cirúrgicos.| Especificações Técnicas da Planta | |
|---|---|
| Família Botânica | Lamiaceae |
| Parte Utilizada | Parte aérea florida |
| Marcador Químico | <p>Os estudos recentes destacam o 7-cloro-6-desoxi-harpagídeo (glicosídeo iridoide majoritário) e a estaquidrina (alcaloide) como compostos de referência para padronização. A leonurina e o ácido ursólico também são amplamente avaliados por suas atividades biológicas.</p> |
| Via de Administração | Oral e Tópico |
| Indicação de Uso | Adulto |
Quais os nomes populares da planta Leonurus cardiaca?
Agripalma, cardíaca, orelha-de-leão e rabo-de-leão.
Descrição Botânica:
Erva perene da família Lamiaceae que atinge até 1 metro de altura, apresentando caules aéreos ocos que brotam a partir de rizomas. Suas folhas possuem formato palmado-lobado e são cobertas por pelos rígidos. As flores, de coloração rosa e com cerca de 1 cm de comprimento, agrupam-se em 10 a 20 feixes nas axilas das folhas dos últimos 10 a 15 nós.
Quais são os principais compostos químicos da planta Leonurus cardiaca?
A planta possui uma matriz complexa que inclui alcaloides (estaquidrina, betonicina, leonurina), iridoides (ajugol, harpagídeo, reptosídeo, leonurídeo), diterpenos furânicos (leocardina, leosibiricina, hispanolona) e flavonoides (isoquercitrina, rutina, apigenina, canferol, quercetina). Contém também glicosídeos (lavandulifoliosídeo), ácido ursólico, minerais, ácidos fenólicos (clorogênico, ferúlico, cafeico), polissacarídeos e óleos essenciais (cariofileno, a-humuleno, a-pineno).
Para que serve a planta Leonurus cardiaca?
Uso Oficial (Farmacopeia Brasileira): Indicada como auxiliar no alívio dos sintomas da tensão nervosa.
Evidências Científicas e Tradicionais: Atuação como agente cardiotônico, antianginoso, antiarrítmico e hipotensor. É amplamente aplicada na saúde feminina (amenorreia, dismenorreia, ansiedade menopausal e prevenção de hemorragia pós-parto). Apresenta efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios, antimicrobianos, imunomoduladores, analgésicos e neuro/nefroprotetores.
Como preparar e utilizar a planta Leonurus cardiaca?
Como auxiliar no alívio dos sintomas da tensão nervosa (FFFB3):
- INFUSÃO: Utilizar de 1,5 a 4,5 g da parte aérea florida para 150 mL de água.
Preparar por infusão, durante 10 minutos, utilizando parte aérea florida seca e rasurada.
Tomar o infuso duas vezes ao dia.
Quais as contraindicações e efeitos adversos da planta Leonurus cardiaca?
Contraindicações:Contraindicada na gestação (devido à estimulação uterina e efeito emenagogo), lactação e para menores de 18 anos. Inadequada para pessoas com hipersensibilidade aos componentes fitocímicos (alcaloides, iridoides, diterpenos e flavonoides). Formulações líquidas (tintura e extrato fluido) são expressamente proibidas para alcoolistas e diabéticos devido ao teor alcoólico. A erva não deve ser utilizada por pessoas com distúrbios de coagulação ou pacientes pré-cirúrgicos.
Pode causar dermatite de contato ao se manipular a planta fresca, e o contato com as folhas apresenta risco de fotossensibilização. Doses excessivas (como 3,0 g/dia de extrato em pó) causam diarreia, irritação gástrica e sangramento uterino. O fitoterápico compromete a atenção, sendo proibido dirigir ou operar máquinas sob seu efeito.
Interações: Não utilizar com medicamentos depressores do Sistema Nervoso Central, glicosídeos cardiotônicos ou varfarina (aumenta o risco de hemorragias ao inibir a agregação plaquetária). Possui efeito antagônico a estimulantes analépticos e potencializa de forma perigosa a sedação de benzodiazepínicos, com risco de coma.
Notas do Especialista:
Embora seja originária da Ásia e do sudeste da Europa, a agripalma se espalhou globalmente. Muito além da medicina, a espécie tem histórico de uso culinário: é empregada como condimento em sopas de lentilha e ervilha, além de servir para a aromatização de chás e cervejas artesanais. Do ponto de vista farmacotécnico, formulações em cápsulas exigem o uso de sachê dessecante (sílica gel) e algodão hidrófobo na embalagem para garantir a integridade do produto contra a umidade.
Não confunda com a planta Rubim, principais diferenças:
- Rubim (Leonurus sibiricus): É a espécie amplamente naturalizada e encontrada com facilidade em todo o território brasileiro. Também recebe os nomes de erva-macaé, chá-de-frade e quinino-dos-pobres. Suas folhas são profundamente recortadas e divididas.
- Agripalma (Leonurus cardiaca): É mais comum na Europa e na América do Norte, sendo conhecida popularmente como agripalma ou motherwort em inglês. O termo "cardiaca" em seu nome científico deve-se ao seu uso tradicional histórico voltado ao tratamento de palpitações e ansiedade. Suas folhas costumam apresentar três lobos principais bem definidos, lembrando o formato de uma pata de ganso.
Referências Bibliográficas:
FIERASCU, Radu Claudiu et al. Leonurus cardiaca L. as a Source of Bioactive Compounds: An Update of the European Medicines Agency Assessment Report (2010). BioMed Research International, v. 2019, ID do Artigo 4303215, 13 p., abr. 2019. DOI: https://doi.org/10.1155/2019/4303215. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6500680/.
EUROPEAN MEDICINES AGENCY (EMA). Assessment report on Leonurus cardiaca L., herba. Amsterdã: EMA, 2018. Disponível em: https://www.ema.europa.eu/documents/herbal-report/final-assessment-report-leonurus-cardiaca-l-herba_en.pdf.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. 3. ed. Brasília: Anvisa, 2026. Disponível na Biblioteca Digital Anvisa.
FOTO DE CAPA: PIXABAY. Fotografia de Leonurus cardiaca. Publicado em: 23 jun. 2016. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2016/06/23/09/26/leonurus-cardiaca-1474948_1280.jpg.
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