Passiflora incarnata L.

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Foto detalhada da planta medicinal Passiflora incarnata

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Resumo:

Passiflora incarnata é uma planta medicinal da família Passifloraceae. O maracujá é indicado como auxiliar nos casos de ansiedade leve, irritabilidade, nervosismo, inquietação, tensão emocional e dificuldade para dormir. Também é utilizado tradicionalmente em estados depressivos associados ao alcoolismo, perturbações nervosas da menopausa, histeria e como auxiliar no equilíbrio da pressão arterial relacionada ao estresse e tensão nervosa.Em uso externo, pode ser empregado tradicionalmente em inflamações cutâneas, hemorroidas, erisipela e dores reumáticas. Seu uso principal é por via de administração: Oral. Suas contraindicações são: O uso do maracujá é contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da planta.Não deve ser utilizado durante a gestação, lactação e por menores de 12 anos devido à ausência de dados suficientes sobre segurança nessas situações.O extrato fluido, devido ao elevado teor alcoólico da formulação, é especialmente contraindicado para gestantes, lactantes, alcoolistas, diabéticos e menores de 18 anos.Não é recomendado o uso concomitante com medicamentos sedativos, depressores do sistema nervoso central, bebidas alcoólicas ou medicamentos inibidores da monoaminoxidase, pois pode ocorrer potencialização dos efeitos sedativos.O uso associado à varfarina e outros anticoagulantes deve ser realizado com cautela devido à possível ação anticoagulante das cumarinas presentes na planta.Não utilizar de forma contínua e prolongada sem acompanhamento profissional.
Especificações Técnicas da Planta
Família Botânica Passifloraceae
Parte Utilizada Partes aéreas.
Marcador Químico <p>Vitexina.</p>
Via de Administração Oral
Indicação de Uso Adulto

Quais os nomes populares da planta Passiflora incarnata?

Maracujá, maracujá-guaçu, maracujá-sylvestre, passiflora, flor-da-paixão. 


Descrição Botânica:

Herbácea trepadeira, pouco vigorosa, com flores perfumadas de cor branca na parte interna das pétalas e azul-clara ou rosada na corona (conjunto de filamentos da base dos órgãos sexuais). Folhas simples, alternas, profundamente trilobadas, pecioladas, serradas e finamente pubescentes, tendo nas axilas estípulas e gavinhas. Frutos ovalados, de cor verde clara com polpa branca.


Quais são os principais compostos químicos da planta Passiflora incarnata?

Folhas e flores de Passiflora incarnata possuem quantidades equivalentes de flavonoides totais, enquanto que estes compostos ocorrem nos caules em quantidade aproximadamente quatro vezes menor. A fração flavonoídica está sujeita a variações em seu conteúdo de acordo com a época da colheita. Os alcaloides presentes na Passiflora incarnata são do tipo indólico, derivados do anel-carbolínico. São encontrados na Passiflora incarnata os alcaloides harmana, harmol, harmina, harmalol e harmalina. A passiflorina, um alcaloide recentemente identificado com a harmana e reconhecido em diversas espécies de passifloráceas, foi o primeiro alcaloide descrito na Passiflora incarnata. A Passiflora incarnata ainda contém maltol, um derivado de benzo-carboidratos; óleos essenciais, dentre os quais destacam-se hexanol, álcool benzílico, linalol, álcool 2-feniletílico, 2- hidroxibenzoato de metila, carvona, trans-anetol, eugenol, isoeugenol, β-ionona, αbergamotol e fitol.


Para que serve a planta Passiflora incarnata?

O maracujá é indicado como auxiliar nos casos de ansiedade leve, irritabilidade, nervosismo, inquietação, tensão emocional e dificuldade para dormir. Também é utilizado tradicionalmente em estados depressivos associados ao alcoolismo, perturbações nervosas da menopausa, histeria e como auxiliar no equilíbrio da pressão arterial relacionada ao estresse e tensão nervosa.
Em uso externo, pode ser empregado tradicionalmente em inflamações cutâneas, hemorroidas, erisipela e dores reumáticas.


Como preparar e utilizar a planta Passiflora incarnata?

Chá por infusão: O preparo tradicional utiliza entre 1 e 2 gramas das partes aéreas secas e rasuradas da planta para 150 mL de água.

Orientações de preparo: Aquecer a água até início da fervura e despejar sobre a planta medicinal. Manter o recipiente tampado por 5 a 10 minutos. Após esse período, coar e consumir logo após o preparo.

Modo de usar: Tomar 150 mL do infuso até quatro vezes ao dia.

Uso tradicional para ansiedade, insônia e estados nervosos: Estado depressivo em virtude do alcoolismo; ansiedade; estados nervosos; insônia: em 1 xícara (chá), colocar 1 colher (sopa) de folhas bem picadas e adicionar água fervente. Abafar por 10 minutos e coar. Tomar 2 xícaras (chá) ao dia, de preferência uma delas à noite, antes de se deitar.

Uso externo tradicional: Hemorroidas; reumatismo; inflamações cutâneas; erisipela: colocar 2 colheres (sopa) de folhas fatiadas em 1 copo de água em fervura. Deixar ferver por 5 minutos e coar. Aplicar nas regiões afetadas com gaze ou pano limpo. Em casos de hemorroidas, o preparo também pode ser adicionado à água morna para realização de banho de assento.

Tintura de Maracujá: A tintura farmacopéica é preparada utilizando 10 g das partes aéreas secas da planta em álcool etílico a 45%, completando volume final de 80 mL.

Percentual alcoólico da tintura: A tintura possui graduação alcoólica de 45%.

Orientações de preparo: As partes aéreas devem ser previamente secas e fragmentadas. O material vegetal deve permanecer em maceração em álcool etílico 45% por um período de 5 a 15 dias, em recipiente de vidro bem fechado, protegido da luz e do calor, realizando-se agitação diária.

Após o período de extração, a preparação deve ser filtrada, prensada quando necessário e armazenada em frasco âmbar devidamente identificado. Em razão do menor teor alcoólico da formulação, pode ser necessária a utilização de conservantes para maior estabilidade do produto.

Modo de usar: Tomar 2 mL da tintura diluídos em aproximadamente 50 mL de água, até três vezes ao dia.

Preparação hidroalcoólica tradicional: Perturbações nervosas da menopausa; insônia; histeria; normalizador da pressão arterial: colocar 2 colheres (sopa) de folhas bem picadas em 1 xícara (chá) de álcool de cereais a 70%. Deixar em maceração por 5 dias e coar. Tomar 1 colher (café), diluída em um pouco de água, 2 vezes ao dia e, se necessário, uma dose adicional à noite antes de se deitar.


Quais as contraindicações e efeitos adversos da planta Passiflora incarnata?

Contraindicações:

O uso do maracujá é contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da planta.
Não deve ser utilizado durante a gestação, lactação e por menores de 12 anos devido à ausência de dados suficientes sobre segurança nessas situações.
O extrato fluido, devido ao elevado teor alcoólico da formulação, é especialmente contraindicado para gestantes, lactantes, alcoolistas, diabéticos e menores de 18 anos.
Não é recomendado o uso concomitante com medicamentos sedativos, depressores do sistema nervoso central, bebidas alcoólicas ou medicamentos inibidores da monoaminoxidase, pois pode ocorrer potencialização dos efeitos sedativos.
O uso associado à varfarina e outros anticoagulantes deve ser realizado com cautela devido à possível ação anticoagulante das cumarinas presentes na planta.
Não utilizar de forma contínua e prolongada sem acompanhamento profissional.

Efeitos Adversos Possíveis:

O maracujá pode causar sonolência, diminuição do estado de alerta e lentidão de reflexos. Durante o uso, recomenda-se evitar dirigir veículos, operar máquinas ou realizar atividades que exijam atenção intensa.
Podem ocorrer reações de hipersensibilidade, incluindo manifestações alérgicas, rinite, irritação respiratória e, raramente, asma ocupacional relacionada ao contato com a planta.
O uso em doses acima das recomendadas pode intensificar os efeitos sedativos.
Em caso de aparecimento de reações adversas, agravamento dos sintomas ou ausência de melhora após duas semanas de uso, recomenda-se suspender o uso e procurar orientação profissional.


Notas do Especialista:

Geléia: corte pela metade 1 kg de frutos maduros e retire com uma colher as sementes. Passe por uma peneira para extrair das sementes a parte do melaço (arilo) acidulado, apertando com um garfo. Reserve. Coloque em uma panela as metades dos frutos, cobrindoas com água e cozinhe até que amoleça bem a polpa. Desligue o fogo e espere amornar. Em seguida, retire com uma colher a polpa das cascas e passe por uma peneira, obtendo uma massa. Coloque em uma panela essa massa, as partes do melaço que estava reservado e adicione 3 copos de açúcar. Misture bem e leve para cozinhar em fogo brando, mexendo sempre, até adquirir a consistência de geléia. Deixe amornar e coloque em vidros, fechando hermeticamente. Existem mais de 500 espécies de Passiflora. Saiba mais em: http://ivrtpm.cpac.embrapa.br/homepage/palestras/mr5barros.pdf


Referências Bibliográficas:

  • LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2008.
  • MAIA, Eduardo. Chás medicinais: utilização segura e eficaz. 2. ed. Maringá: UICLAP, 2024. 400 p.
  • MATOS, F. J. A. O formulário fitoterápico do professor Dias da Rocha. 2. ed. Fortaleza: UFC Edições, 1997.
  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). WHO monographs on selected medicinal plants. v. 3. Genebra: OMS, 2007.
  • PROPLAM. Guia de Orientações para implantação do Serviço de Fitoterapia. Rio de Janeiro, 2004.

Farmacêutico Fitoterapeuta Eduardo Maia
Esta monografia foi revisada por:
EDUARDO MAIA
Farmacêutico Fitoterapeuta

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