Mentha x piperita L.

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Foto detalhada da planta medicinal Mentha x piperita

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Resumo:

Mentha x piperita é uma planta medicinal da família Labiatae (Lamiaceae). Cólicas, flatulência (gases), problemas hepáticos, dispesia, distúrbios biliares, enterites, síndrome do intestino irritável, vermífugo e mau hálito. Seu uso principal é por via de administração: Oral. Suas contraindicações são: O uso é contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da formulação, bem como à menta, ao mentol ou a preparações que contenham essas substâncias. Também é contraindicado durante a gestação e lactação. A preparação na forma de tintura é especialmente contraindicada para gestantes, lactantes, menores de 18 anos, alcoolistas e diabéticos, em razão do teor alcoólico da formulação.O uso não é recomendado para crianças menores de 4 anos, devido à ausência de dados de segurança. O fitoterápico é contraindicado em pessoas com cálculos biliares, obstrução dos ductos biliares, doença hepática grave e litíase urinária (WHO, 2004; EMA, 2020). Pessoas com refluxo gastroesofágico devem evitar seu uso, pois pode haver agravamento dos sintomas. Pacientes com hipersensibilidade a salicilatos ou com asma induzida por aspirina (AIA) devem utilizar o fitoterápico com cautela (Mills & Bone, 1999). Caso os sintomas persistam por mais de duas semanas durante o tratamento, um médico deverá ser consultado (EMA, 2020).
Especificações Técnicas da Planta
Família Botânica Labiatae (Lamiaceae)
Parte Utilizada Folhas e sumidades floridas
Marcador Químico <p>Mentol.</p>
Via de Administração Oral
Indicação de Uso Adulto e Infantil

Quais os nomes populares da planta Mentha x piperita?

Hortelã-pimenta, hortelã, hortelã-apimentada, hortelã-das-cozinhas, menta, menta-inglesa, sândalo.


Descrição Botânica:

Erva aromática, anual ou perene de mais ou menos 30 cm de altura, semi ereta, com ramos de cor verde escura a roxa purpúrea. Folhas elíptico-acuminadas, denteadas, pubescentes e muito aromáticas. É originária da Europa de onde foi trazida no período de colonização do país, sendo muito cultivada como planta medicinal em canteiros de jardins e quintais em todo Brasil. Na região nordeste, somente as plantas cultivadas nas serras úmidas de clima de montanha florescem uma vez por ano. Seu cultivo é feito a partir de pedaços dos ramos subterrâneos, devendo ser replantada a cada seis meses para garantir a boa qualidade da planta. 


Quais são os principais compostos químicos da planta Mentha x piperita?

Contém óleo essencial (carvona, mentol, mentona, mentofurano, pulegona, 1,2 epoxipulegona, acetato de metila, felandreno, limoneno, pipeno, piperitona, cineol, valerianato, isovalerianato, β-bourboneno, cis-di-hidrocarveol), taninos, flavonoides (apigenol, luteolina, isoroifolina, mentosídeo, rutina), triterpenoides, sesquiterpenoides, ácidos fenólicos, princípios amargos, vitaminas (C e D).


Para que serve a planta Mentha x piperita?

Cólicas, flatulência (gases), problemas hepáticos, dispesia, distúrbios biliares, enterites, síndrome do intestino irritável, vermífugo e mau hálito.


Como preparar e utilizar a planta Mentha x piperita?

Cólicas, flatulência (gases), problemas hepáticos (RDC 10/2010);

  • Infusão:
    Utilizar 1,5 g (3 colheres de café) em 150 mL (xícara de chá).
    Tomar 1 xícara chá de 2 a 4 vezes ao dia.

Como auxiliar no alívio de sintomas dispépticos; tal como flatulência (FFFB3);

  • Infusão - Uso adulto:
    Utilizar de 1,5 g a 3 g das folhas para cada 100 ou 150 mL de água.
    Preparar por infusão, durante 5 a 10 minutos, considerando a proporção indicada na fórmula. Devem ser utilizadas folhas secas e rasuradas.
    Tomar o infuso, três vezes ao dia.

  • Infusão - Uso pediátrico acima de 4 anos:
    Utilizar de 1 g a 2 g das folhas para cada 100 ou 150 mL de água.
    Preparar por infusão, durante 5 a 10 minutos, considerando a proporção indicada na fórmula. Devem ser utilizadas folhas secas e rasuradas.
    tomar o infuso, três vezes ao dia

Analgésico estomacal e intestinal: em 1 xícara (chá), coloque 1 colher (sopa) de folhas picadas e adicione água fervente. Abafe por 10 minutos, coe e acrescente 1 colher (sobremesa) de suco de limão. Tome 1 xícara (chá), entre as principais refeições.

Refrescante; digestivo; estimulante das funções cardíacas: coloque 2 colheres (sopa) de folhas e flores e 1 pedaço pequeno de pau de canela em 1 copo de álcool de cereais a 50%. Deixe em maceração por 8 dias. Coe e acrescente 1 xícara (chá) de água fria e 4 colheres (sopa) de açúcar cristal. Deixe em repouso durante 30 dias, agitando o líquido de vez em quando. Tome 1 cálice, 2 vezes ao dia, antes das principais refeições.

Digestivo; calmante estomacal; gases intestinais: coloque 3 colheres (sopa) de folhas e flores em 1 xícara (chá) de álcool de cereais a 70%. Deixe em maceração por 8 dias e coe. Tome 1 colher (café), diluído em um pouco de água, 3 vezes ao dia.

Cólicas (estomacais e intestinais); azia; gastrite: em 1 xícara (chá), colo que 1 colher (sopa) de folhas e flores, 2 colheres (sopa) de folha de guaçatonga picada e adicione água fervente. Abafe por 5 minutos e coe. Tome 1 xícara (chá) 10 minutos antes das principais refeições.

Como vermífugo: sumo preparado diariamente de 20 gramas de folhas e ramos em 300 ml de água. Tomar três vezes ao dia, durante cinco dias.

Mau hálito: macerar em um litro de vinho branco, 30 gramas de folhas frescas de hortelã. Coar e utilizar a mistura para bochechos, duas vezes ao dia.


Quais as contraindicações e efeitos adversos da planta Mentha x piperita?

Contraindicações:

O uso é contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da formulação, bem como à menta, ao mentol ou a preparações que contenham essas substâncias. Também é contraindicado durante a gestação e lactação. A preparação na forma de tintura é especialmente contraindicada para gestantes, lactantes, menores de 18 anos, alcoolistas e diabéticos, em razão do teor alcoólico da formulação.

O uso não é recomendado para crianças menores de 4 anos, devido à ausência de dados de segurança. O fitoterápico é contraindicado em pessoas com cálculos biliares, obstrução dos ductos biliares, doença hepática grave e litíase urinária (WHO, 2004; EMA, 2020). Pessoas com refluxo gastroesofágico devem evitar seu uso, pois pode haver agravamento dos sintomas. Pacientes com hipersensibilidade a salicilatos ou com asma induzida por aspirina (AIA) devem utilizar o fitoterápico com cautela (Mills & Bone, 1999).

Caso os sintomas persistam por mais de duas semanas durante o tratamento, um médico deverá ser consultado (EMA, 2020).

Efeitos Adversos Possíveis:

O uso pode provocar irritação da mucosa gastrointestinal, incluindo estomatite, esofagite, gastrite, diarreia, pancreatite e agravamento da pirose em indivíduos suscetíveis (Mills & Bone, 1999; EMA, 2020; Pereira et al., 2017).

Em doses elevadas, pode estar associado à hepatotoxicidade, nefrite intersticial e insuficiência renal aguda (Douros et al., 2016; Pereira et al., 2017).

Outras reações adversas descritas incluem:

  • náuseas;
  • vômitos;
  • dor abdominal;
  • ardência na região perianal (Keifer et al., 2007);
  • irritabilidade;
  • insônia paradoxal em indivíduos sensíveis.

Estudos recentes também demonstraram redução da produção de leite materno durante o uso da planta (Pereira et al., 2017).

Em caso de aparecimento de eventos adversos, recomenda-se interromper o tratamento e procurar orientação médica. Não utilizar doses superiores às recomendadas.


Notas do Especialista:

Embora seja amplamente conhecida como planta digestiva, a Mentha × piperita pode agravar o refluxo gastroesofágico, devido ao relaxamento do esfíncter esofágico inferior promovido pelo mentol. Esse efeito explica por que a hortelã, apesar de aliviar diversos desconfortos digestivos, não é recomendada para pessoas com doença do refluxo.

Outro aspecto interessante é que seus constituintes podem interferir na atividade das enzimas do citocromo P450 (CYP3A4), justificando o potencial de interação com diversos medicamentos de uso contínuo.


Referências Bibliográficas:

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  • DRESSER, G. K. et al. Grapefruit juice and peppermint interactions with CYP3A substrates. 2002.
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  • GARCIA, A. A.; VANACLOCHA, B.; SALAZAR, J. I. G. Fitoterapia: vademécum de prescripción. 3. ed. Barcelona: Masson, 1999.
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  • KEIFER, D. et al. Peppermint (Mentha × piperita): an evidence-based systematic review. Journal of Herbal Pharmacotherapy, v. 7, n. 2, p. 91-143, 2007.
  • LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2008.
  • MAIA, E. Chás medicinais: utilização segura e eficaz. 2. ed. Maringá: UICLAP, 2024. 400 p.
  • MATOS, F. J. A. Plantas medicinais: guia de seleção e emprego de plantas usadas em fitoterapia no Nordeste do Brasil. Fortaleza: UFC, 2000.
  • MILLS, S.; BONE, K. Principles and Practice of Phytotherapy: Modern Herbal Medicine. Edinburgh: Churchill Livingstone, 2004.
  • PANIZZA, S. Plantas que curam: cheiro de mato. 4. ed. São Paulo: IBRASA, 1998.
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  • SAAD, G. A. et al. Fitoterapia Contemporânea: tradição e ciência na prática clínica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
  • BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução RDC nº 10, de 9 de março de 2010. Dispõe sobre a notificação de drogas vegetais no âmbito da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 mar. 2010.
  • BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. 3. ed. Brasília: Anvisa, 2026. Aprovado pela Resolução RDC nº 1.024, de 14 de maio de 2026.
  • WHO – World Health Organization. WHO Monographs on Selected Medicinal Plants. v. 2. Geneva: WHO, 2004.
  • WICHTL, M. (Ed.). Herbal Drugs and Phytopharmaceuticals. 3. ed. Boca Raton: Medpharm CRC Press, 2004.
  • WILLIAMSON, E.; DRIVER, S.; BAXTER, K. Interações Medicamentosas de Stockley: plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Farmacêutico Fitoterapeuta Eduardo Maia
Esta monografia foi revisada por:
EDUARDO MAIA
Farmacêutico Fitoterapeuta

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