Monteverdia ilicifolia (Mart. ex Reissek) Biral.

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Foto detalhada da planta medicinal Monteverdia ilicifolia

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Resumo:

Monteverdia ilicifolia é uma planta medicinal da família Celastraceae. Indicada em casos de dispepsia (distúrbios da digestão), azia e gastrite. Como coadjuvante no tratamento episódico de prevenção de úlcera em uso de anti-inflamatórios não esteroidais. Seu uso principal é por via de administração: Oral. Suas contraindicações são: O uso é contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da formulação ou a outras espécies da família Celastraceae. Também é contraindicado durante a gestação, lactação e para menores de 18 anos. A contraindicação na gestação e lactação deve-se ao potencial de reduzir a produção de leite materno e estimular contrações uterinas. Ao persistirem os sintomas, um médico deverá ser consultado. O uso contínuo não deve ultrapassar seis meses, podendo um novo ciclo ser realizado somente após intervalo mínimo de 30 dias (Pereira et al., 2017).
Especificações Técnicas da Planta
Família Botânica Celastraceae
Parte Utilizada Folhas
Marcador Químico Terpenos, flavonoides e taninos.
Via de Administração Oral
Indicação de Uso Adulto

Quais os nomes populares da planta Monteverdia ilicifolia?

Espinheira-santa, espinheira-divina, espinho-de-deus, maiteno, salvavidas, sombra-de-touro, erva-cancrosa, erva-santa, cancerosa, cancorosa, cancorosa-desete-espinho, cancrosa, congorça, coromilho-do-campo.


Descrição Botânica:

Árvore de pequeno porte ou arbusto grande, crescendo até no máximo 5 m de altura, dotada de copa arredondada e densa, nativa de regiões de altitude do sul do Brasil. Folhas coriáceas e brilhantes, com margens providas de espinhos pouco rígidos. Flores pequenas de cor amarelada. Os frutos são cápsulas oblongas, deiscentes, de cor vermelha, contendo 1-2 sementes de cor preta.


Quais são os principais compostos químicos da planta Monteverdia ilicifolia?

Contém alcaloides (maitanprina, maitansina, maitanbutina), monoterpenoides, sesquiterpenoides, triterpenoides (friedelina, maitenina, friedelanol, pristimerina), fitosteróis (campesterol, simiarenol, brassicasterol, estigmasterol), flavonoides (catequina, epicatequina, quercetina, caempferol), antocianinas, ácidos fenólicos (ácido clorogênico), taninos, saponinas, resina, mucilagem e trações de sais minerais (ferro, cálcio, sódio, enxofre).


Para que serve a planta Monteverdia ilicifolia?

Indicada em casos de dispepsia (distúrbios da digestão), azia e gastrite. Como coadjuvante no tratamento episódico de prevenção de úlcera em uso de anti-inflamatórios não esteroidais.


Como preparar e utilizar a planta Monteverdia ilicifolia?

Dispepsia (distúrbios da digestão), azia e gastrite. Como coadjuvante no tratamento episódico de prevenção de úlcera em uso de anti-inflamatórios não esteroidais (RDC 10/2010);

  • Infusão:
    Utilizar de 1 a 2 g (1 a 2 colheres de chá) em 150 mL (xícara de chá) de água.
    Tomar 150 mL do infuso, 3 a 4 vezes ao dia.

Como auxiliar no alívio de sintomas digestivos, incluindo azia e dispepsia (FFFB3);

  • Decocção:
    Utilizar de 1 a 2 g (1 a 2 colheres de chá) em 150 mL (xícara de chá) de água.
    Ferver por 5 minutos e deixar arrefecer em contato com a água durante 15 minutos.
    Devem ser utilizadas folhas secas e rasuradas (OGAVA et al., 2000).
    Tomar 150 mL do decocto, duas horas após o almoço e à noite, podendo ser administrado até quatro vezes ao dia (OGAVA, et. al., 2000).
  • Infusão:
    Utilizar 3 g em 150 mL de água.
    Devem ser utilizadas folhas secas e trituradas
    Tomar, logo após o preparo, três a quatro vezes ao dia (BALBACH, 1980), sendo indicado o uso uma hora antes das principais refeições.

Afecções gástricas (atonia, hiperacidez, úlceras gástricas e duodenais, gastrite crônica): em 1 xícara (chá), coloque 1 colher (sobremesa) de folhas picadas e adicione água fervente. Abafe por 10 minutos, espere amornar e coe. Tome 1 xícara (chá), antes das principais refeições.

Afecções gástricas (atonia, hiperacidez, úlceras gástricas e duodenais, gastrite crônica): coloque 3 colheres (sopa) de folhas bem picadas em 1 xícara (chá) de álcool de cereais a 70%. Deixe em maceração por 5 dias e coe em um pano. Tome 1 colher (café), diluído em um pouco de água, 10 minutos antes das principais refeições.

Úlceras; feridas; escaras; afecções da pele (acne, eczemas e herpes): coloque 2 colheres (sopa) de folhas picadas e 3 colheres (sopa) de folhas de confrei secas picadas, em 1/2 litro de água em fervura. Desligue o fogo, espere amornar e coe. Aplique, nas partes afetadas, com um chumaço de algodão, de 2 a 3 vezes ao dia.

Fermentações intestinais: em 1 xícara (chá), coloque 1 colher (sopa) de folhas picadas e adicione água fervente. Abafe por 10 minutos, espere amornar e coe. Adicione 1 colher (sobremesa) de carvão vegetal em pó. Misture bem. Tome 1 xícara (chá), 2 vezes ao dia entre as principais refeições.


Quais as contraindicações e efeitos adversos da planta Monteverdia ilicifolia?

Contraindicações:

O uso é contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da formulação ou a outras espécies da família Celastraceae. Também é contraindicado durante a gestação, lactação e para menores de 18 anos. A contraindicação na gestação e lactação deve-se ao potencial de reduzir a produção de leite materno e estimular contrações uterinas. Ao persistirem os sintomas, um médico deverá ser consultado. O uso contínuo não deve ultrapassar seis meses, podendo um novo ciclo ser realizado somente após intervalo mínimo de 30 dias (Pereira et al., 2017).

Efeitos Adversos Possíveis:

Durante o uso foram relatados xerostomia (boca seca), disgeusia (alteração do paladar) e náuseas (Ogava et al., 2000). Em estudo clínico randomizado também foi observada poliúria entre a quarta e quinta semana de tratamento com extrato aquoso, além de boca seca (Tabach et al., 2017). Outros relatos incluem gastralgia (dor no estômago) (Santos-Oliveira et al., 2009).

Por ser rica em taninos, a espinheira-santa, quando utilizada em doses elevadas, pode provocar irritação da mucosa gástrica e intestinal, ocasionando vômitos, cólicas intestinais e diarreia (Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª ed., ANVISA).

Em caso de aparecimento de eventos adversos, recomenda-se suspender o uso do produto e procurar orientação médica. Não utilizar em doses superiores às recomendadas.


Notas do Especialista:

A espinheira-santa é uma planta naturalmente rica em taninos, compostos responsáveis por parte de sua ação gastroprotetora. Entretanto, esses mesmos compostos, quando ingeridos em excesso, podem irritar a mucosa digestiva, justificando a recomendação de respeitar rigorosamente a dose e o tempo de tratamento.


Referências Bibliográficas:

  • ALONSO, J. Tratado de fitofármacos y nutracéuticos. Rosário: Corpus, 2007.
  • AMARAL, A. C. F. et al. Coletânea científica de plantas de uso medicinal. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2005.
  • BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução RDC nº 10, de 9 de março de 2010. Dispõe sobre a notificação de drogas vegetais no âmbito da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 mar. 2010.
  • BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. 3. ed. Brasília: 2026.
  • GUPTA, M. P. (Ed.). Plantas Medicinales Iberoamericanas. Bogotá: CYTED, 2008.
  • IPATINGA. Memento Terapêutico Fitoterápico – Farmácia Viva. Ipatinga, 2000.
  • LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2008.
  • MAIA, E. Chás medicinais: utilização segura e eficaz. 2. ed. Maringá: UICLAP, 2024.
  • OGAVA, S. E. N.; PINTO, M. T. C.; MARQUES, L. C. Guia Fitoterápico. Maringá: Secretaria Municipal de Saúde, 2000.
  • PANIZZA, S. Plantas que curam: cheiro de mato. 4. ed. São Paulo: IBRASA, 1998.
  • PEREIRA, A. M. S. et al. Formulário de preparação extemporânea: Farmácia da Natureza – Chás Medicinais. São Paulo: Bertolucci, 2017.
  • SAAD, G. A. et al. Fitoterapia Contemporânea: tradição e ciência na prática clínica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
  • SIMÕES, C. M. O. et al. Plantas da medicina popular no Rio Grande do Sul. 5. ed. Porto Alegre: UFRGS, 1998. 

Farmacêutico Fitoterapeuta Eduardo Maia
Esta monografia foi revisada por:
EDUARDO MAIA
Farmacêutico Fitoterapeuta

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